Marquesa de Alorna
Tempera noutro som essa áurea lira;
Não crê Alcipe que te causa espanto.
O seu plectro, banhado há muito em pranto,
Destoa, geme, queixa-se, delira.
Ela assusta-se quando alguém a admira;
Com a luz da Razão destrói o encanto,
Pois do Fado o rigor tem sido tanto,
Que, se canta, conhece que suspira.
O fogo com que Délio resplandece
Só é dado a quem tem contentamento;
Cercado de pesares, esmorece.
A Ventura é quem dá ao verso alento;
Sem ela o génio pasma, desfalece,
Cala-se a Musa, encurta o pensamento.