Elmano Sadino

Já o Inverno, expremendo as cãs nevosas

Já o Inverno, expremendo as cãs nevosas,

Geme, de horrendas nuvens carregado;

Luz o aéreo fuzil, e o mar inchado

Investe ao pólo em serras escumosas;

 

Ó benignas manhãs!, tardes saudosas,

Em que folga o pastor, medrando o gado,

Em que brincam no ervoso e fértil prado

Ninfas e Amores, Zéfiros e Rosas!

 

Voltai, retrocedei, formosos dias:

Ou antes vem, vem tu, doce beleza

Que noutros campos mil prazeres crias;

 

E ao ver-te sentirá minha alma acesa

Os perfumes, o encanto, as alegrias,

Da estação que remoça a natureza.