Elmano Sadino

Já Sobre o Coche de Ébano Estrelado

Já sobre o coche de ébano estrelado,

Deu meio giro a Noite escura e feia,

Que profundo silêncio me rodeia

Neste deserto bosque, à luz vedado!

 

Jaz entre as folhas Zéfiro abafado,

O Tejo adormeceu na lisa areia;

Nem o mavioso rouxinol gorjeia,

Nem pia o mocho, às trevas acostumado.

 

Só eu velo, só eu, pedindo à Sorte

Que o fio com que está mih'alma presa

À vil matéria lânguida, me corte.

 

Consola-me este horror, esta tristeza,

Porque a meus olhos se afigura a Morte

No silêncio total da Natureza.