Júlio Dinis
Não meças o amor pelo tempo que dura;
Ontem amei-te mais nessa hora tão ligeira,
Senti maior prazer, gozei maior ventura,
Do que ao pé de ti passasse a vida inteira.
Deixa que esta paixão termine com o dia,
Efêmera cecém nascida à madrugada,
E que ao cair do Sol, nessa hora de poesia,
Deixou pender no chão a cara desfolhada.
Fiquemos sempre assim, um ao outro ignorados
Nestas vagas regiões de uma paixão nascente.
Sigamos cada um caminhos separados;
Com uma hora de amor a alma é já contente.
Lisboa, 1869