Júlio Dinis

QUANDO TE VI

Hoje, quando te vi, estavas pensando;

Em que pensavas tu, virgem formosa,

Desmaiadas as faces cor-de-rosa,

E o seio, o gentil seio, inquieto arfando?

 

Em que pensavas tu? De vez em quando

Elevavas ao céu, triste, saudosa,

A vista amortecida, lacrimosa,

Para a baixar depois em gesto brando.

 

No chão jaziam murchas, desfolhadas,

As rosas, que ainda há pouco te toucavam,

Agora já por ti abandonadas.

 

Os últimos clarões do Sol douravam

As tuas belas tranças desatadas;

Diz, que íntimos anelos te turbavam?