Júlio Dinis
Flor dos campos, flor singela,
Pra quem guardas tuas cores?
Deus criou-te entre verdores
Só para os campos enfeitar?
Desconhecem-te a beleza
Outras flores que ta invejam
E as brisas, se te bafejam,
Não o sabem revelar.
Há tanto que corro os prados
Por sobre viçosas relvas!
Tantas flores pelas selvas,
Tantas no monte encontrei!
Há tanto! e porque só hoje,
Alva cecém da campina,
Quis a minha ingrata sina
Que te encontrasse? Não sei.
Não sei. O peito agitado
Os seus segredos não revela.
Se ao ver-te foi minha estrela,
Se é sorte pensar em ti...
Pensarei, sim; tua imagem
Há de seguir-me incessante,
Em ti só, flor vicejante,
Pensarei, já que te vi.
A noite nos arvoredos
Onde formas vaporosas
Vagueiam misteriosas,
Irei procurar-te, a sós.
De manhã, quando no outeiro
Surja a chama matutina,
Já o teu nome, Paulina,
Repetirá minha voz.
De: As apreensões de uma mãe