Marquesa de Alorna

Cantiga Anacreôntica

Dentre as canas buliçosas

Leve Zéfiro respira,

Movem-se as folhas lustrosas,

Amor palpita e suspira.

 

Nestes doces movimentos

Vão-se as sombras desfazendo,

Vão-se espreguiçando os Ventos,

Lúcifer esmorecendo.

 

Vai-se a manhã levantando,

Acordam com ela as cores,

Vão com ela despertando

Pardas rochas, lindas flores.

 

Ante os raios refulgentes

Cessa o tímido segredo,

Abrilhantam-se as correntes,

Nascem coros no arvoredo.

 

Sai do seio do descanso

Vigorada a fantasia;

As ideias são mais claras

Na hora em que nasce o dia.

 

Depois de um sono quieto

Tudo acorda com vigor:

Porque razão quando dorme

Não desperta assim o Amor?