Marquesa de Alorna
Triste pássaro, que tens?...
Esse tom dos teus gemidos
Não é tom que desconheçam
Os corações afligidos.
Tu calas-te enquanto Febo
Dispensa com fausto o dia,
E só confias das sombras
A tua melancolia.
Também eu, como tu, gemo,
E fujo da claridade,
Que importa pouco aos humanos
A minha cruel saudade.
Mas quando a severa Hécate
As sombras negras evoca,
Todo o silêncio do dia
Em suspiros se me troca.
Solto então o freio ao pranto,
Ao desafogo abandono
Essas horas que os ditosos
Entregam a doce sono.
Nem eu nem tu procuramos
A piedade dos humanos.
Uma compaixão estéril
Entra na lista dos danos.