Elmano Sadino

A frouxidão no amor é uma ofensa,

A frouxidão no amor é uma ofensa,

Ofensa que se eleva a grau supremo ;

Paixão requer paixão, fervor e extremo ;

Com extremo e fervor se recompensa.

 

Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença !

Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo ;

Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo ;

Em sombras a razão se me condensa.

 

Tu só tens gratidão, só tens brandura,

E antes que um coraçào pouco amoroso

Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.

 

Talvez me enfadaria aspecto iroso,

Mas de teu peito a lânguida ternura

Tem-me cativo e não me faz ditoso.