Elmano Sadino

Eu Deliro, Gertrúria, eu Desespero

Eu deliro, Gertrúria, eu desespero

No inferno de suspeitas e temores.

Eu da morte as angústias e os horrores

Por mil vezes sem morrer tolero.

 

Pelo Céu, por teus olhos te assevero

Que ferve esta alma em cândidos amores;

Longe o prazer de ilícitos favores!

Quero o teu coração, mais nada quero.

 

Ah! não sejas também qual é comigo

A cega divindade, a Sorte dura.

A vária Deusa, que me nega abrigo!

 

Tudo perdi: mas valha-me a ternura

Amor me valha, e pague-me contigo

Os roubos que me faz a má ventura.