António Pereira Nobre

Natal d'um poeta

Em certo reino, á esquina do planeta,

Onde nasceram meus Avós, meus Paes,

Ha quatro lustres, viu a luz um poeta

Que melhor fôra não a ver jamais.

 

Mal despontava para a vida inquieta,

Logo ao nascer, mataram-lhe os ideaes,

A falsa-fé, n’uma traição abjecta,

Como os bandidos nas estradas reaes!

 

E, embora eu seja descendente, um ramo

D’essa arvore de Heroes que, entre perigos

E guerras, se esforçaram pelo ideal:

 

Nada me importas, Paiz! seja meu amo

O Carlos ou o Zé da Th’reza… Amigos,

Que desgraça nascer em Portugal!