Marquesa de Alorna
Esperanças de um bem tão contingente,
Com que fim me andais sempre atormentando?
Se inútil é que eu viva suspirando,
Porque me não deixais viver contente?
Ora fingis distante, ora presente
O motivo do mal que estou chorando;
Fingi-me, se podeis, ao menos quando
Hei de viver feliz, sendo indiferente.
Se tanto vos aflige o meu sossego
Que o perturbais por modo tão tirano,
Matai-me, que a morrer eu não me nego.
Mas se viva, o destino desumano
Me quere, fugi; que eu triste já me entrego
Ao descarnado e duro desengano.