Marquesa de Alorna

Esperanças de um bem tão contingente...

Esperanças de um bem tão contingente,

Com que fim me andais sempre atormentando?

Se inútil é que eu viva suspirando,

Porque me não deixais viver contente?

 

Ora fingis distante, ora presente

O motivo do mal que estou chorando;

Fingi-me, se podeis, ao menos quando

Hei de viver feliz, sendo indiferente.

 

Se tanto vos aflige o meu sossego

Que o perturbais por modo tão tirano,

Matai-me, que a morrer eu não me nego.

 

Mas se viva, o destino desumano

Me quere, fugi; que eu triste já me entrego

Ao descarnado e duro desengano.