Júlio Dinis

ÉS BELA

És bela, sim, quando, corando, foges

De um beijo perseguida;

Ou quando cedes com mais pejo ainda,

Mas na luta vencida.

 

És bela, sim, quando, banhada em lágrimas,

Soltas mimosas queixas;

Ou quando, comovida por maus choros,

Já ameigar-te deixas.

 

És bela, sim, à luz do Sol nascente

Regando as tuas flores,

Ou com os olhos no ocaso e o pensamento

No país dos amores.

 

És bela sempre, e o mesmo fogo acendes

No coração do poeta;

És bela sempre, ó linda flor do prado,

Ó mimosa violeta,

 

Março de 1882.