Marquesa de Alorna

Numa doença

Àquele espaço que a alma compreende

Os meus passos dirijo temerosa;

Abre-se a Eternidade, que, horrorosa,

Por multidões de séculos se estende.

 

Mas neste ponto em que Átropos desprende

O fio de uma vida tão penosa,

A mãe, a cara mãe, triste, saudosa,

O pai, a terna irmã, tudo me prende!

 

Ideias do descanso roubadoras,

Deixai-me junto aos cândidos altares

Pôr fim tranquilo às minhas tristes horas!

 

Rompa o espírito em paz liberto os ares,

E completem as Parcas agressoras

Ruínas que fizeram os meus pesares.