Marquesa de Alorna
Estro mudo, replicai-me!
Vinde, números perdidos!
Harmonia, consolai-me!
Da morte as asas escuras
Vêm de sonhos carregadas;
Formam tristes conjeturas
As ideias assustadas.
Ai de mim! a melodia
Evita uma alma agitada;
O terror da fantasia
Faz-me a voz desentoada.
Eu mesma não sei que temo!
Um desconhecido efeito
Me anuncia, quando gemo,
Que encerro a morte no peito.
O Tejo me viu com vida,
Sem ela o Danúbio e o Reno.
Fere, ó Morte desabrida!
O teu triunfo é pequeno.
Mas tu, objeto que adoro,
Incapaz de esquecimento,
As minhas cinzas recolhe
Em um simples monumento.
Em prémio do amor mais puro,
Este epitáfio convém
Gravar sobre o mármore duro:
Terna esposa, filha e mãe.