Camilo Pessanha

Quando se erguerão as setteiras

Clepsydra

Quando se erguerão as setteiras,

Outra vez, do castello em ruina,

E haverá gritos e bandeiras

Na fria aragem matutina?

 

Se ouvírá tocar a rebate

Sobre a planicie abandonada?

E sahiremos ao combate

De cota e elmo e a longa espada?

 

Quando iremos, tristes e sérios,

Nas prolixas e vãs contendas,

Soltando juras, improperios,

Pelas divisas e legendas?

 

E voltaremos, os antigos

E purissimos lidadores,

(Quantos trabalhos e perigos!)

Quasi mortos e vencedores?

 

. . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . .

 

E quando, ó Dôce Infanta Real,

Nos sorrirás do belveder?

—Magra figura de vitral,

Por quem nós fomos combater...